Penhora de Bem de Família de Fiador em Aluguel Comercial é Constitucional



Na notícia comentada de hoje, a advogada Gabriela Gusmão Canedo da Silva contextualizará a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu ser constitucional a penhora de bem de família de fiador em aluguel comercial.

VOTOS: 7 A 4

É constitucional a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação, seja comercial, seja residencial, decide o Supremo Tribunal Federal, por 7 votos a 4.

O QUE OCORREU NO CASO EM ANÁLISE

O Recurso Extraordinário nº. 1307334/SP discutia a possibilidade de penhora do bem de família do fiador de contrato de locação comercial. Nele foi reconhecida a repercussão geral da matéria, com afetação e suspensão de todos os recursos, até o julgamento definitivo, para unificação do entendimento da Corte.

A controvérsia sobre o tema havia se iniciado em 2018, quando a Primeira Turma, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 605709/SP e mediante análise das questões peculiares ao caso concreto, entendeu pela impenhorabilidade do bem de família do fiador, por se tratar de hipótese de locação comercial.

O julgamento se encerrou no último dia 08 de março, em sessão virtual, e a decisão final sobre o RE 1307334/SP foi disponibilizada nesta data (10/03/2022) no portal eletrônico do Supremo Tribunal Federal, consolidando a tese sobre o tema 1.127:

“É constitucional a penhora de bem de família pertencente a fiador de contrato de locação, seja residencial, seja comercial”

COMENTÁRIO DO ESPECIALISTA

O posicionamento da Corte resolve definitivamente as controvérsias que haviam sido instauradas em processos por todo o território nacional, além de premiar os princípios da boa-fé objetiva, da autonomia da vontade e da livre iniciativa. 

Observou-se no caso, também, o princípio da isonomia, uma vez que o art. 3º, VII, da Lei nº. 8.009/90 não apresenta qualquer distinção em relação às locações comerciais ou residenciais.  

No entendimento do Ministro Relator Alexandre de Moraes, a possibilidade de penhora do bem de família do fiador de contrato de locação não viola o direito fundamental à moradia do fiador, eis que, ao se dispor a prestar tal garantia, possui plena consciência dos riscos de eventual inadimplência.

Ficou com alguma dúvida? Fale conosco: entre em contato.

Clique aqui e leia mais artigos escritos por nossa equipe.
AUTORA
Gabriela Gusmão Canedo da Silva. Advogada (OAB/PR nº. 75.294). Pós-graduada lato sensu em Direito Contemporâneo Luiz Carlos Centro de Estudos Jurídicos.

 

Compartilhar

Outras postagens

O Que Nem Sempre Contam ao Cliente: Uma Conversa Franca Sobre Prazos, Honorários e Resultados

O Que Nem Sempre Contam ao Cliente: Uma Conversa Franca Sobre Prazos, Honorários e Resultados

Prazo curto, honorário camarada e causa ganha: é isso que muita gente espera ouvir na primeira reunião com um advogado. É também o que por vezes se gera como expectativa para fechar contrato. O problema é simples: nada disso é inteiramente verdade. O próprio Código de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil trata essas promessas como o que elas são, uma infração disciplinar.

Pejotização: os riscos que sua empresa corre enquanto o STF não decide o Tema 1.389

Pejotização: Os Riscos Que Sua Empresa Corre Enquanto o STF Não Decide o Tema 1.389

Uma empresa que contrata prestadores de serviço como pessoa jurídica pode, a qualquer momento, ser surpreendida por uma ação trabalhista pedindo o reconhecimento retroativo de vínculo empregatício, com anos de verbas rescisórias, FGTS e encargos previdenciários calculados de uma só vez. Esse risco não é hipotético nem distante. Desde junho de 2026, o Supremo Tribunal Federal voltou a permitir que a primeira e a segunda instâncias da Justiça do Trabalho instruam e julguem esse tipo de processo, e mais de 74 mil ações identificadas em levantamentos com base em dados do CNJ estão diretamente afetadas. Para quem estrutura contratos com PJs, freelancers ou consultores sem revisar periodicamente a forma como esses vínculos funcionam na prática, o momento de agir é agora, antes que a tese final do Supremo seja fixada e antes que uma fiscalização, uma auditoria ou uma reclamação trabalhista isolada exponha fragilidades acumuladas ao longo de anos.

Filtro de Relevância no STJ: O Que Muda na Estratégia Recursal das Empresas

Filtro de Relevância no STJ: O Que Muda na Estratégia Recursal das Empresas

Toda empresa que já discutiu judicialmente uma cobrança, um contrato mal cumprido ou uma decisão societária sabe que o processo raramente termina na primeira ou na segunda instância. Quando a decisão do Tribunal de Justiça é desfavorável, o recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça costuma ser o caminho natural para reverter o resultado. A partir de setembro deste ano, esse caminho passa por um filtro adicional: não bastará mais apontar que a lei federal foi mal aplicada, será preciso demonstrar que a questão discutida tem relevância que ultrapassa o interesse das partes envolvidas no caso concreto.

Plano de Recuperação Judicial Tem Limites: o que a decisão do STJ sobre honorários revela para empresas e credores

Plano de Recuperação Judicial Tem Limites: o que a decisão do STJ sobre honorários revela para empresas e credores

Aprovar um plano de recuperação judicial em assembleia geral de credores costuma ser tratado, no dia a dia das empresas, como o momento em que a crise fica para trás e a reestruturação finalmente ganha corpo. Mas nem tudo o que é aprovado por maioria em assembleia se sustenta juridicamente depois. Uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça mostra, de forma bastante concreta, que cláusulas de um plano de recuperação judicial podem ser declaradas nulas quando extrapolam os limites legais, mesmo já homologadas e em execução