Fiduciário Pode Cobrar de Locatário Taxa de Ocupação?

Segundo o STJ, locatário do imóvel não responde por taxa de ocupação após a consolidação da propriedade fiduciária. Na notícia comentada de hoje, a colaboradora Clarice de Camargo Ibañez, contextualizará a decisão da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que reconheceu ser ilegítima a cobrança de taxa de ocupação por parte da fiduciária ao locatário do fiduciante, conforme abaixo exposto.

O que é alienação fiduciária?

Conforme já exposto em artigo anterior, a alienação fiduciária é quando um indivíduo, a fim de obter um financiamento, por exemplo, deixa um bem em garantia, por exemplo um imóvel. Assim sendo, caso descumprida a obrigação, como o pagamento das parcelas do financiamento no exemplo supracitado, o bem dado em garantia pelo devedor (fiduciante) é tomado pela instituição financeira (fiduciário).

O que é consolidação da propriedade?

A consolidação da propriedade é quando ocorre a inadimplência do devedor fiduciante (antigo proprietário do imóvel).

“Locatário do imóvel responde por taxa de ocupação?” O que significa isso?

Caso prático: Imagine que há um imóvel no qual o proprietário (locador) decidiu alugá-lo. Em um financiamento de um segundo imóvel, o proprietário deu em garantia o primeiro (imóvel alugado), para pagar a dívida, caso deixasse de adimplir com a obrigação. Ocorre que o proprietário deixou de pagar o financiamento do segundo imóvel e, como o primeiro tinha sido ofertado como garantia, a instituição financeira que forneceu o financiamento, irá consolidar a propriedade (tornar o primeiro imóvel dela) para pagar a dívida do segundo. Só que o primeiro imóvel está sendo locado para o locatário! E agora? A instituição financeira (fiduciária) pode cobrar do locatário uma ‘taxa de ocupação’ – prevista no artigo 37-A da Lei 9.514/1997 -,por estar no imóvel mesmo após a consolidação da propriedade?

Qual a conclusão?

A tese fixada pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), resolvendo que somente o devedor (fiduciante) possui  legitimidade para responder pela taxa de ocupação. Isso porque, segundo o relator, os sujeitos previstos no artigo 37-A da Lei 9.514/1997 (taxa de ocupação) são somente fiduciante e fiduciário, pelo que incabível responsabilizar ou cobrar do locatário do fiduciante (devedor). Assim sendo, se a fiduciária (instituição financeira credora) quiser cobrar algo do locatário, poderá somente se for com base no contrato de locação, como sucessora do antigo locador e proprietário (fiduciante). Ficou com alguma dúvida? Consulte um advogado. Clique aqui e leia mais artigos escritos por nossa equipe.

AUTORA

Clarice de Camargo Ibañez. Bacharela em Direito. Mestra em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

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