Culpa Exclusiva de Instalador Afasta Indenização Por Acidente de Trabalho, diz TST



direito trabalhista

Na notícia comentada de hoje, o advogado especialista em Direito Trabalhista, Dr. Felipe Eduardo Martins Pereira, contextualizará a decisão da Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que rejeitou o exame do recurso de um instalador de rede que pedia indenização por acidente de trabalho. De acordo com as instâncias anteriores, a quem cabe o exame das provas, o acidente que levou o instalador à aposentadoria por invalidez se deu por culpa exclusiva dele.

Comentário do Especialista

A culpa exclusiva do empregado trata-se de verdadeira excludente de culpa por parte da reclamada, na exata medida em que torna ausente qualquer conduta ilícita a ser imputada à Reclamada quanto ao dever de preservar a integridade física do trabalhador. Neste caso, não cabe nenhuma espécie de reparação dos danos oriundos do sinistro.

O julgado em comento aponta ainda para a impossibilidade de reanálise de provas por parte do TST. Mais ainda, deixa claro que as provas produzidas durante a instrução processual balizaram corretamente o julgamento das instâncias inferiores.

Isso porque o juízo de primeiro grau apontou que o trabalhador acidentado sabia qual o procedimento a ser adotado (no caso deveria travar a escada) e por ato omissivo próprio deixou de adotar a conduta que dele se esperava.

Importante destacar que, em regra geral, o dever de cuidar do local do trabalho e do próprio trabalhador é da empresa. Contudo, uma vez adotada todas as medidas de cuidado (treinamento, higiene no local de trabalho, EPIs, etc), espera-se que o próprio trabalhador adote as condutas necessárias e os cuidados necessários para desenvolver o seu trabalho sem riscos, ou pelo menos com a diminuição destes riscos.

No presente julgado restou claro que a empresa adotou os procedimentos necessários e que o trabalhador assumiu conduta indevida.

Assim, no caso em tela, não havia nada que a reclamada pudesse fazer para evitar a ocorrência do acidente. Em sendo assim, restou evidente a culpa exclusiva do próprio trabalhador, tornando o pedido de indenização indevido, afastando qualquer possibilidade de culpa da reclamada.

Ficou com alguma dúvida? Consulte um advogado.

Clique aqui e leia mais artigos escritos por nossa equipe.
AUTOR
Felipe Eduardo Martins Pereira. Advogado (OAB/PR sob nº. 36.948). Graduado em Direito pela Faculdade de Curitiba (atualmente UNICURITIBA). Especialista em Direito Trabalhista.

Compartilhar

Outras postagens

O VALOR OCULTO DO PATRIMÔNIO: COMO AS BENFEITORIAS DEFINEM A JUSTA INDENIZAÇÃO NA DESAPROPRIAÇÃO

O Valor Oculto do Patrimônio: Como as Benfeitorias Definem a Justa Indenização na Desapropriação

O instituto da desapropriação representa uma das formas mais drásticas de intervenção do Estado na propriedade privada. Fundamentada no interesse público, na utilidade pública ou no interesse social, essa prerrogativa estatal exige como contrapartida indispensável a garantia constitucional de uma justa e prévia indenização em dinheiro. O conceito de justa indenização não se limita ao valor venal da terra nua, mas abrange a totalidade dos prejuízos suportados pelo expropriado, incluindo as construções, plantações e todas as formas de benfeitorias que agregam valor econômico e utilidade ao imóvel.

Recebeu uma Citação de uma Ação de Desapropriação Saiba Como Garantir uma Indenização Justa e Proteger seu Patrimônio

Recebeu uma Citação de uma Ação de Desapropriação? Saiba Como Garantir uma Indenização Justa e Proteger seu Patrimônio

Se você acabou de receber uma citação em uma ação de desapropriação, é perfeitamente natural sentir preocupação e incerteza sobre o futuro do seu patrimônio. A desapropriação é uma das medidas mais drásticas que o Estado pode adotar, pois ela retira de você a propriedade de um bem particular para transferi-la ao Poder Público, sob a justificativa de utilidade pública, necessidade pública ou interesse social

Sob a sombra do progresso: a real situação e os direitos dos proprietários atingidos pelo Parque Linear do Rio Barigui

Sob a sombra do progresso: a real situação e os direitos dos proprietários atingidos pelo Parque Linear do Rio Barigui

O Parque Barigui é indiscutivelmente um dos maiores orgulhos de Curitiba, um verdadeiro cartão postal que embeleza a capital paranaense e proporciona um espaço inestimável de lazer e preservação ambiental para milhares de famílias. No entanto, por trás das belas paisagens naturais e um ambiente público agradável, esconde-se um drama silencioso e extremamente doloroso para dezenas de proprietários de imóveis vizinhos. A ampliação desse espaço de preservação e a implantação do Parque Linear do Rio Barigui têm gerado ondas de preocupação e angústia entre os moradores e empresários que possuem propriedades residenciais ou estabelecimentos comerciais lindeiros ao rio.